_julho de 2019

No centro. Sentado na praça. Observo o movimento. Um ônibus arrecada agasalhos. O tempo passa. As pessoas também. Um casal discute porque a moça tomou uma decisão que desagradou o rapaz. Ele aumenta a voz. Ela nada fala. Os dois seguem. Do outro lado da avenida, policiais abordam um cidadão com atitude suspeita. Encostam na parede. A mochila do sujeito é vasculhada. Eles conversam. Nenhum flagrante. O homem é liberado. Arruma a camisa, atravessa a rua e vai. As pombas estão ali, como sempre. Comem as migalhas que caem, inclusive da minha pipoca doce de quase 35 centavos [3 por 1 real]. Meu pensamento vai longe. Os problemas insistem em me perseguir. Devo ser problemático. Talvez. Aguardo respostas. Elas não vem. Duas garotas, de aproximadamente 14 anos, me abordam. Parecem gêmeas.

- Moço, não é vergonha falar que meus pais estão desempregados e estamos vendendo trufas pra ajudar em casa.

- Desculpa, infelizmente to sem dinheiro aqui. Zerado.

- Não tem problema. Muito obrigado. Deus te abençoe.

Impactado. Parei de lamentar e, assim como os demais, peguei meu rumo. Não está fácil. Na real, nunca foi. Mas se olhar com atenção ao redor vai ver que tem gente passando por situações bem mais complexas. É agradecer. E continuar na luta.

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