#crônicadavidareal Cidade fechada, vazia, triste. Portas baixadas revelam frases de efeito deixadas por alguém na madrugada. O chafariz do Largo do Pará tira a monotonia. Pessoas em situação de rua perambulam por ali, conversam, comem, bebem, observam. Há pequenas aglomerações. Idosos circulam despreocupados. Há filas nas portas dos bancos. Poucos carros nas ruas. O cenário do centro é completamente diferente do que encontrei duas semana atrás, quando a vida ainda fluía normalmente. O choque de realidade só veio com a tentativa de encontrar algum lugar para comprar um simples envelope. Sem sucesso. Graças ao ambulante, o problema foi resolvido. Não era o modelo que eu queria, mas, de qualquer forma, consegui postar o livro. Nos Correios, a entrada é regulada. 1 por 1.

- Essa é a sua taxa para o governo

- É, eu sempre ajudando o governo

- Eles não pensam no povo, só nos empresários. Como que o trabalhador com apenas 30% do salário vai viver? Como vai pagar aluguel, água, luz e comprar comida?

- Bem complicado

- Os empresários, que tem dinheiro, conseguem viver tranquilamente por mais de 1 ano, porque tem reserva. O pobre não tem reserva. Todo mês tem que pagar as contas com o salário que ganham. Aí, eles vem e cortam

- O povo nunca é prioridade. Está sempre em segundo plano.

- Hoje o meu vou ter que pegar R$ 200 pra ajudar minha irmã que é tem uma doença crônica, meu sobrinho mais velho foi demitido e o outro está desempregado. E se tivessem cortado 70% do meu salário? Não ia conseguir nem pra mim nem pra ela.

- Realmente

- A mudança só vai acontecer quando o povo fizer uma revolução

jornalista. autor do livro “A Indústria da Música Gospel”. escreve no @ RAPresentando, Sounds and Colours, UpdateOrDie, Rapzilla, Per Raps e Gospel Beat.

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